Nenhum daqueles trens era azul como o da canção. Nem o elétrico do Rio de Janeiro, nem a litorina do Espírito Santo, nem a maria-fumaça de Minas Gerais. Mas lá estávamos nós, com o sol sobre as cabeças e cheios de expectativas comuns a quem espera pela hora da partida em cada estação.
Sobre o que restou dos trilhos das tantas estradas imperiais que cortavam o País a partir do fim do século 19, num leva e traz crescente de mercadorias e trabalhadores, percorremos um pedacinho da cultura e da história que formaram o sudeste e, por que não dizer, o Brasil ao longo do último século.
É preciso desacelerar o passo e a mente para seguir viagem. Movido a uma velocidade de no máximo 15 quilômetros por hora, quem embarca em uma das três locomotivas – ou nas outras 28 espalhadas pelo país que também funcionam com finalidade turística – entra num outro ritmo de vida, difícil de acostumar nossas mentes modernas incomodadas com reduções de velocidade mundo afora.
Na 14.ª posição mundial, o Brasil ainda está longe de alcançar o número de trens depasseio dos Estados Unidos, no topo da lista, com 342. Pudera. Diante do advento das rodovias, ir de trem nos pareceu démodé. Na sabedoria popular de Flávio Iglesias, com seu sotaque mineiro e maquinista de longa data, “hoje em dia, trem é coisa, e coisa não é mais trem.”
Mas, tanto quanto a moda se reinventa, trazendo à tona tudo aquilo que, até ontem, era roteiro de vida de nossos pais e avós, o sistema férreo brasileiro parece ter reencontradostatus e importância no turismo.
Foi esse movimento que fez com que a Abottc (Associação Brasileira de Trens Turísticos) e o Sebrae iniciassem, em 2014, o projeto Trem é Turismo. A ideia é dar mais vida à economia de bairros e pequenas cidades que abrigam estações ferroviárias, comoCosme Velho, no Rio, Domingos Martins, no Espírito Santo, e Rio Acima, em Minas Gerais.
Aliadas a passeios que envolvem natureza, gastronomia, cultura e história, as locomotivas atraem desde desbravadores que combinam a experiência dentro dos trens a atividades nas cidades, aos que, como diz Milton Nascimento, vieram “apenas para ouvir o barulho do trem”.
Futuro promissor
Conseguir um espaço na janela de um dos vagões do Trem do Corcovado para ver o Rio do alto é quase impossível, tamanha a quantidade de pessoas extasiadas com cada metro morro acima. Segundo o Sebrae e a Abottc, os 20 trens turísticos que fazem parte do projeto transportam atualmente cerca de 3 milhões de pessoas por ano. Com investimento de R$ 4,4 milhões, a meta é aumentar o número de passageiros em 15% até 2016 e impulsionar 600 pequenos negócios no entorno das estações.
Até dezembro, o projeto deverá lançar uma central única para reserva e compra de passagens online. A novidade vai reunir, em um primeiro momento, quatro dos 21 roteiros existentes. Além disso, em dez anos, a Abottc e o Sebrae pretendem dobrar o número de locomotivas voltadas ao turismo no País.
Nos trilhos certos
Veja mais cinco opções de passeio:
Curitiba-Morretes:
São 3h de passeio ao longo de 110 km pela Mata Atlântica, em uma ferrovia de 128 anos. No caminho surgem pontes e cachoeiras; em Morretes, não deixe de comer o típico barreado. R$ 77; serraverdeexpress.com.br
Gurararema- Luís Carlos:
Recém-inaugurado, o passeio na Maria-Fumaça 353 (conhecida como Velha Senhora) percorre 7 km rumo ao distrito de Guararema e suas construções coloniais. Funciona em fins de semana. Informações: guararema@abpf.com.br
Recém-inaugurado, o passeio na Maria-Fumaça 353 (conhecida como Velha Senhora) percorre 7 km rumo ao distrito de Guararema e suas construções coloniais. Funciona em fins de semana. Informações: guararema@abpf.com.br
São Paulo-Paranapiacaba:
O tour ocorre aos domingos (exceto no segundo do mês) – embarque na Estação da Luz (8h30) ou em
Santo André (9h). O retorno ocorre às 16h30. São 48 km, em uma locomotiva reformada dos anos 1950. R$ 36; cptm.sp gov.br
O tour ocorre aos domingos (exceto no segundo do mês) – embarque na Estação da Luz (8h30) ou em
Santo André (9h). O retorno ocorre às 16h30. São 48 km, em uma locomotiva reformada dos anos 1950. R$ 36; cptm.sp gov.br
São João del Rey-Tiradentes:
Apenas 12 km e 40 minutos separam as cidades. A maria-fumaça percorre os trilhos da Estrada de Ferro Oeste de Minas, inaugurada em 1881 por D. Pedro II. Ingressos a R$ 40; de sexta-feira a domingo. Mais: (32) 3371-8485
Apenas 12 km e 40 minutos separam as cidades. A maria-fumaça percorre os trilhos da Estrada de Ferro Oeste de Minas, inaugurada em 1881 por D. Pedro II. Ingressos a R$ 40; de sexta-feira a domingo. Mais: (32) 3371-8485
Bento Gonçalves – Carlos Barbosa:
Atração da Serra Gaúcha, o passeio de maria-fumaça percorre 23 km, com uma pausa em Garibaldi. O percurso dura 2h, com muito vinho e clima italiano. R$ 86; mfumaca.com.br
Atração da Serra Gaúcha, o passeio de maria-fumaça percorre 23 km, com uma pausa em Garibaldi. O percurso dura 2h, com muito vinho e clima italiano. R$ 86; mfumaca.com.br
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/turismo/pare-olhe-escute-que-tal-fazer-um-passeio-de-trem/
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