No arquipélago, projeto pesquisa e incentiva ações para conservar a terceira espécie de golfinho mais abundante no mundo.
O arquipélago é um oásis para o personagem que esbanja simpatia. Nas águas calmas e rasas de Noronha, o golfinho-rotador (Stenella longirostris) encontra tranquilidade e frequenta as ilhas praticamente todos os dias. Mas por que razão, o animal gosta tanto dessa região? As respostas para esta constatação podem estar na observação.
Há 25 anos, o oceanógrafo José Martins contribuiu para a criação do projeto Golfinho Rotador. Ainda hoje, a iniciativa tem a proposta de estudar a espécie e orientar o turismo local para a conservação das populações de golfinhos-rotadores.
Para conhecer o comportamento da espécie, os pesquisadores do projeto chegaram bem perto dos golfinhos e dedicaram horas a observar o balé submarino. Em Fernando de Noronha, os cientistas puderam presenciar, por exemplo, um estado que se aproxima do sono. Sob a água, os animais chegam a fechar os olhos.
Outra cena rara é o momento da amamentação dos filhotes. “O filhote se aproxima da mãe, que esguicha o leite na boca dele”, descreve Martins. “É muito emocionante, pois quando vemos isso é sinal de que estamos interferindo muito pouco.”
O arquipélago também é local de reprodução dos golfinhos-rotadores. O ritual de acasalamento começa com carícias e mordidas. O momento em que o macho se coloca embaixo da fêmea sinaliza que o namoro deu certo.
O comportamento mais surpreendente e que caracteriza a espécie é obervado fora da água. Os animais chegam a saltar a três metros de altura e girar até sete vezes no ar. Daí a razão de serem chamados “rotadores”.
Reprodução, cuidados com os filhotes, saltos espetaculares... Para compreender o comportamento dos habitantes famosos de Noronha a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi essencial. Durante dez anos, a equipe do professor Ivan Sazima estudou a interação entre as espécies de peixes do arquipélago. O resultado da pesquisa, destaca a bióloga campineira Roberta Bonaldo, também participante do estudo, está no livro A Vida dos Peixes em Fernando de Noronha, publicado pela editora Terra da Gente.
Para o oceanógrafo José Martins, a importância de entender a interação ecológica do golfinho-rotador permite compreender o ciclo de vida do animal e propor novas medidas para a conservação da espécie.
Todos os dias a equipe do Projeto Golfinho Rotador acorda cedo com a missão de acompanhar a movimentação dos animais, orientar os turistas e monitorar a navegação dos barcos. Se depender dos esforços do grupo, os golfinhos-rotadores vão se sentir sempre em casa em Fernando de Noronha.
As imagens dos golfinhos-rotadores exibidas no Terra da Gente (29/08) foram produzidas pelo biólogo e cinegrafista de natureza João Paulo Krajewski.
Fonte: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2015/08/incriveis-acrobacias-do-golfinho-rotador-em-fernando-de-noronha.html
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