Campina Grande, Caruaru, Arcoverde e Alagoa Grande são opções na região
RIO - Para os que
saudades já sentem das noites de São João, das noites tão brasileiras, das
fogueiras sob o luar do sertão, a contagem regressiva já começou. Falta quase
um mês para a temporada dos festejos juninos, que transformam o Nordeste no
destino mais animado do Brasil na metade do ano.
Se ninguém discute
que Gonzagão é o Rei do Baião, a disputa pelo posto de “maior São João do
Brasil” é acirrada. Campina Grande, na Paraíba, ou Caruaru, em Pernambuco? A
resposta, de fato, não importa tanto. Em qualquer das duas cidades, a diversão
é garantida, com apresentações musicais, concursos de quadrilha (algumas com
mais de mil integrantes) e comida típica.Dos grandes eventos de massa, como os
de Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, a festas menos
midiáticas, como das sertanejas Arcoverde e Alagoa Grande, as noites de São
João (e Santo Antônio, como não?) arrastam multidões e servem como ótimas
desculpas para conhecer melhor o país. E ouvir, sem parar, clássicos como
“Noites brasileiras”, de Luiz Gonzaga.
ELBA E ZÉ RAMALHO
Em 2015, o São João
de Campina Grande acontecerá entre 5 de junho e 5 de julho. Os organizadores
dos festejos esperam reunir dois milhões de pessoas na cidade do agreste
paraibano, de pouco mais de 400 mil habitantes.
Para isso, 50
artistas já foram anunciados, entre eles gente de peso, como os paraibanos Elba
Ramalho e Zé Ramalho. A cantora será a grande atração do dia 23, e seu primo se
apresentará no dia 24, noite de São João. Antes disso, no dia 20, Alceu Valença
e Genival Lacerda vão comandar a folia. Grupos populares de forró também foram
anunciados, como Os Três do Nordeste e Luan e Forró Estilizado, que sobem ao
palco na primeira noite da festa. Outros nomes conhecidos do grande público,
como Lucy Alves (dia 26) e Padre Fábio de Melo (dia 30) também foram
anunciados. Os organizadores prometeram divulgar mais 35 nomes até o início do
festival.
As principais
apresentações musicais e os concursos de quadrilhas acontecem no Parque do
Povo, uma área de eventos ao ar livre, que este ano ganhou novos acessos para o
público. Há shows menores em outros pontos da cidade, conhecidos como Ilhas do
Forró.
A programação se
estende para distritos do município, como Catolé de Boa Vista, São José da Mata
e Galante. Para este, a viagem a partir do centro de Campina Grande já é um
evento. O trajeto é feito na Locomotiva Forrozeira, com um trio de forró em
cada um de seus oito vagões, animando o percurso de 1h30m. As saídas, nos dias
13, 14, 20, 21, 24 e 27, serão às 10h, com retorno às 15h.
FESTA JUNINA EM MAIO
Já na maior cidade do
agreste de Pernambuco, a ansiedade é tão grande que as festas juninas começarão
em maio, no dia 30, com show de Elba Ramalho no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga,
principal espaço do festival. Até 29 de junho, o forró tomará conta de Caruaru,
a 130 quilômetros de Recife. Mas não só ele; outros ritmos musicais já tiveram
presença garantida na festa. Zezé de Camargo e Luciano estão entre os primeiros
artistas confirmados.
A programação ainda
não foi fechada, mas, se repetirem o ano passado, quando mais de 350 artistas
se apresentaram na cidade, será preciso um bom fôlego.
Nem só de bandas de
forró e concursos de quadrilhas é feito o São João de Caruaru. Tradição de todo
dia 24 de junho, o Desfile dos Bacamarteiros relembra os soldados que lutaram
na Guerra do Paraguai. Só que estes soldados juninos dão apenas tiros de festim
com seus bacamartes, enquanto dançam ao som de grupos regionais.
Para quem tem muita,
mas muita fome mesmo, as comidas gigantes de Caruaru vêm bem a calhar. Durante
as festas juninas, associações de produtores da cidade organizam eventos, onde
servem pés-de-moleque, quentões e pipocas em tamanho família.
As noites de junho
também são iluminadas fora do eixo Pernambuco-Paraíba. Mossoró, vem ganhando
destaque por sua festa, que este ano espera reunir 1,5 milhão de pessoas de 6 a
29 de junho. A lista de shows não está fechada, mas uma atração já está
garantida. O espetáculo “Chuva de bala no país de Mossoró” é uma tradição
junina na cidade e acontecerá de 11 a 28 de junho.
O espetáculo conta a
história de quando a cidade no oeste do estado resistiu bravamente à tentativa
de invasão de Lampião e seu bando, em 1927. Com ares de “Paixão de Cristo”, com
direito a atores da própria comunidade dublando diálogos gravados, mas com
pitadas de humor e toques de literatura de cordel, o espetáculo é encenado
desde 2003 em frente à Capela de São Vicente, cenário real do tiroteio
histórico.
O Mossoró Cidade
Junina, como é batizado o evento, se concentra no Corredor Cultural, uma
avenida localizada no centro da cidade que reúne praças e prédios históricos.
Os shows acontecem na Estação das Artes Elizeu Ventania, a antiga estação
ferroviária. Durante a festa, também vai ser possível passear pela cidade a
bordo de um Pau de Arara estilizado.
TRADIÇÕES: DO FORRÓ GOSPEL AO BUMBA-MEU-BOI
Ao longo dos anos,
Campina Grande e Caruaru se transformaram em eventos para milhões de pessoas.
Para quem quer um clima mais “pé de serra” e menos “teclado eletrônico", a
opção podem ser as festas juninas de cidades menores. Nas proximidades de
Campina Grande, a cidade de Cabaceiras chama a atenção pela Festa do Bode Rei,
que costuma abrir os festejos juninos no Cariri paraibano.
Este ano, o evento,
que tem paradas, apresentações musicais e muita comida à base de carne de bode,
acontecerá de 28 a 30 de maio. De quebra, é possível visitar as paisagens
únicas da região, como as formações rochosas do Lajedo de Pai Mateus. Também na
Paraíba, só que na região do Brejo, a cidade de Alagoa Grande, onde nasceu
Jackson do Pandeiro, tem sido cada vez mais procurada por quem quer um São João
mais autêntico.
No Sertão de
Pernambuco, a cidade de Arcoverde não chega a competir com Caruaru, mas já é
apontada como alternativa no estado, com público estimado em cerca de 70 mil
pessoas por dia. A programação ainda não está fechada, mas já se sabe que, de
19 a 28 de junho, a festa será realizada em dez polos espalhados pela cidade.
Tem palco para todos os gostos: do voltado para apresentações de coco, ritmo
tipicamente nordestino, ao dedicado ao forró gospel.
O céu também ficará
bem mais iluminado no interior da Bahia. No maior estado nordestino, há pelo
menos 20 cidades com festas juninas de médio e grande porte. Uma delas acontece
na cidade de Amargosa, no Centro-Sul baiano, a 240 quilômetros de Salvador. De
19 a 24 de junho, os festejos acontecerão no Vale do Jiquiriçá e terão a
presença de artistas como Lucy Alves (que participou da última edição do
programa “The Voice Brasil”, da TV Globo), Durval Lelys, Chimbinha do Acordeom
(que interpretou Luiz Gonzaga jovem em “Gonzaga- De pai para filho”) e Wesley
Safadão, um dos nomes mais populares do forró moderno.
Na região do
Recôncavo, Santo Antônio de Jesus é outro destino concorrido na Bahia durante o
mês de junho. Este ano, o São João local reunirá, entre os dias 19 e 24,
atrações como Calcinha Preta, Aviões do Forró, Bell Marques (ex-Chiclete com
Banana) e o quase onipresente Wesley Safadão.
AQUECENDO AS ZABUMBAS
A cultura das festas
juninas no Nordeste costuma ser muito mais forte no interior dos estados. O que
não quer dizer que São João não seja bastante festejado em algumas das capitais
litorâneas. A mais junina delas é Aracaju, em Sergipe, que organiza todos os
anos o Forró Caju, um dos festivais mais conhecidos da região. Em 2015, a folia
acontecerá entre os dias 19 e 29, na praça de eventos da Orla do Atalaia, que
se transforma em Arraial do Povo, num cenário que remete às cidadezinhas
interioranas.
Quem não quiser
esperar até a segunda metade de junho pode acompanhar os ensaios das quadrilhas
e shows com trios pé-de-serra e barraquinhas na Rua São João, uma das mais
conhecidas da capital sergipana. O projeto, chamado “Esquentando forró”, uma
espécie de aquecimento para as festas juninas, acontece todo sábado até 17 de
junho.
Outra capital que se
transforma durante o São João é São Luís do Maranhão. Mas lá as festas juninas
têm menos cara de Nordeste e mais de Norte. É que, no estado, junho é mês de
bumba-meu-boi, tradição que, assim como as quadrilhas e as próprias festas juninas,
veio da Europa e ganhou influências africanas e indígenas no Brasil. Desde o
século XVIII é um dos principais movimentos folclóricos do Maranhão.
De 13 (dia de Santo
Antônio) a 29 (dia de São Pedro) de junho, acontecem as apresentações oficiais
dos bois, como os grupos populares são chamados, na Praça Maria Aragão, às
margens do Rio Anil, no Centro da capital.
Em São Luís, essa
brincadeira é coisa séria. Há dezenas de grupos, que começam a ensaiar em seus
bairros de origem logo após o carnaval e, quando chega o mês de junho, se
apresentam em praças, rebatizadas de arraiais.
Com coreografias com
passos bem marcados, fantasias muito coloridas e um boi de pano e madeira
sempre arredio, o bumba-meu-boi conta uma história antiga: para satisfazer o
desejo de sua esposa grávida de comer língua, Pai Francisco mata o boi de
estimação do patrão. Quando este descobre o desaparecimento do bicho, obriga o
vaqueiro a trazer o boi de volta. Para salvar a própria pele, Pai Francisco
aciona curandeiros da floresta, que ressuscitam o boi.
Nem todo
bumba-meu-boi é igual. Os vários estilos são chamados de sotaques, que
identificam diferenças no vestuário, no uso de instrumentos e nas coreografias.
No Maranhão, há pelo menos cinco sotaques. O de matraca é o mais popular, e o
de zabumba, o original.
Fonte: http://oglobo.globo.com/estilo/boa-viagem/noites-tao-brasileiras-onde-aproveitar-as-festas-juninas-mais-animadas-do-nordeste-16173818
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