Com programa iniciado em 2011, já são 300 frequências semanais entre os dois países
Mesmo com o valor do dólar variando e atingindo cotações maiores que R$ 3, as passagens aéreas para os Estados Unidos estão mais baratas do que há um ano, quando a moeda americana estava cotada a R$ 2,25. Mas as notícias são melhores ainda. Executivos do setor de viagens ouvidos peloR7 apostam que os preços atraentes vieram para ficar. O motivo? O aumento da oferta de voos entre os dois países.
Em cinco anos, o número de voos aumentou 50% (veja gráfico abaixo). Hoje, são 300 frequências semanais. Doze cidades brasileiras têm ligação direta com os EUA. São Paulo e Rio concentram as principais rotas: Miami, Fort Lauderdale, Orlando, Nova York, Washington, Detroit, Atlanta, Chicago, Dallas, Houston, e Los Angeles. Além disso, é possível voar a partir de Campinas, Manaus, Belém, Salvador, Recife, Fortaleza, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.
As promoções que os brasileiros estão vendo hoje são resultado de um acordo entre Brasil e Estados Unidos firmado em 2011. O projeto Open Skies (em português, Céus Abertos) prevê, entre outras coisas, expandir o número de voos entre os dois países.
Um levantamento feito pelo site de buscas de passagens e hotéis Mundi, a pedido do R7, mostra que os preços médios dos bilhetes aéreos caíram em abril, comparando com o mesmo mês de 2014.
Viajar para Las Vegas, por exemplo, ficou 19% mais barato (R$ 1.848,94); Orlando, 12% (R$ 1874,45). A CEO do Mundi, Ana Araujo, confirma que nem as oscilações do dólar impediram as ofertas.
— A gente está acompanhando o volume de buscas e alteração de preços. Vimos que Estados Unidos não alterou muito. Tiveram promoções, principalmente pela alta do dólar, porque o mercado assustou um pouquinho. As companhias aéreas locais tiveram uma guerra de promoções, então, isso ajudou.
A gerente comercial do Decolar.com, Samantha Hebling, percebeu que as companhias aéreas se preocuparam em não deixar que a alta do câmbio afastasse os clientes.
— As companhias aéreas estão querendo mais ou menos equiparar o mesmo valor em real do ano passado. A ideia é que o passageiro pague o mesmo que ano passado, porque se for mantida a mesma tarifa em dólar, hoje, vai custar muito mais.
Atualmente, seis companhias aéreas têm voos diretos entre o Brasil e os Estados Unidos: três brasileiras (TAM, Gol e Azul) e três norte-americanas (American Airlines, United e Delta). Juntas, elas transportaram no mês de março quase 390 mil passageiros, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Samantha lembra ainda outras três empresas que deixam mais forte a concorrência.
— A gente percebe que a briga fica maior nas rotas de Estados Unidos porque tem outras congêneres que concorrem com as companhias americanas, com uma rota privilegiada, que seria a Copa, que voa via Cidade do Panamá; a Avianca, com conexão em Bogotá; e a Aeromexico, via Cidade do México. Para o passageiro que já vai fazer alguma conexão, às vezes é indiferente onde ele vai parar.
Nas últimas semanas, o dólar tem se estabilizado e, mesmo que continue alto, muitos brasileiros já conseguem planejar a viagem. A oscilação do câmbio fez, pela primeira vez, o número de buscas no Mundi ser maior para Santiago (Chile) do que para Miami no primeiro trimestre deste ano. Ana Araujo diz que, com a moeda americana estável, os EUA devem voltar a ser o foco de quem deseja viajar.
— A competitividade vai aumentar, vai continuar crescendo. Vai ficar melhor para o consumidor. Tem muitas empresas americanas muito mais próximas do público brasileiro. Com certeza, o consumidor final vai sair beneficiado.
Planos retomados
O dólar não parava de subir no começo do ano e o empresário Marcos Salgado quase deixou de lado os planos de passar as tão aguardadas férias em Miami. Mas, na metade de abril, um e-mail o fez mudar de ideia.
— Recebi uma promoção de uma companhia aérea e consegui comprar por R$ 1.700, ainda parcelei em três vezes. Eu achava que gastaria uns R$ 3.000 com passagem, por isso não estava muito animado para ir. Agora, com o que eu economizei, dá para pagar o hotel. Disso não tem como escapar.
Se não fosse para Miami, o empresário diz que viajaria pelo Brasil. Foi isso que muitos brasileiros fizeram nesses primeiros quatro meses do ano. No Decolar, as vendas para destinos internacionais caíram 20%, enquanto os nacionais subiram 15%, desde fevereiro. A diretora comercial do site entende o motivo, mas diz que o cenário mudou novamente.
— O problema não é o dólar estar alto. Porque isso, se a pessoa se programa, ela sabe quanto vai gastar. O problema é essa oscilação. O passageiro fica receoso em viajar porque ele não sabe quanto vai vir na fatura de cartão de crédito dele. Essa oscilação faz o passageiro segurar um pouco a decisão de compra dele. Agora, a gente já percebeu uma alta nas compras de passagens internacionais.
Como conseguir bons preços
Informação, planejamento e antecedência são o segredo para achar preços que caibam no bolso. Quem puder escapar da alta temporada vai encontrar ofertas ainda melhores. Os voos para os EUA são mais caros entre a metade de julho até agosto, porque é verão lá e período de férias escolares.
Com a data marcada, o negócio é ficar de olho na internet. Uma opção é se inscrever para receber e-mails de promoções dos sites de compra e das companhias aéreas.
Conforme são vendidos os assentos de um voo, os restantes ficam mais caros. Aí é que entra a antecedência — entre 60 e 90 dias é o ideal. Se na data escolhida a passagem estiver com preço alto, tente um dia antes ou um depois, caso seja possível.
Fonte: http://entretenimento.r7.com/viagens/numero-de-voos-para-os-eua-cresce-50-e-nem-dolar-alto-encarece-passagens-29042015
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